Cuidados com a Saúde
5 estratégias para ajudar a regular o sono de adolescentes que dormem e acordam tarde
Canguru News
Entender o ritmo do corpo do seu filho e apostar em acordos pode minimizar o estresse nas férias

Entre os 13 e os 17 anos, o corpo passa por mudanças hormonais que alteram o relógio biológico que regula sono e vigília
As aulas acabaram e é hora de relaxar. Mas mesmo no período das férias, trocar o dia pela noite – algo comum entre muitos adolescentes – não é saudável para o corpo e nem para a mente. Pais e mães ficam preocupados: até que ponto é normal os filhos se manterem acordados até tarde, jogando ou maratonando séries, e perdendo boa parte do dia seguinte?
O comportamento é comum e basta conviver com adolescentes para notar isso. Especialmente entre os 13 e os 17 anos, o corpo passa por mudanças hormonais que alteram o chamado ciclo circadiano, o relógio biológico que regula sono e vigília. “O adolescente tende a sentir sono mais tarde e a ter dificuldade para acordar cedo. Durante o ano letivo, a escola impõe um horário. Nas férias, o corpo finalmente escolhe”, explica a educadora Valma Souza, do Colégio PB (RJ).
É importante separar as coisas. Isso não significa preguiça ou falta de responsabilidade. É o organismo funcionando de acordo com sua própria lógica. Inclusive, entidades como a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Academia Americana de Pediatria já reconhecem que adolescentes têm, biologicamente, um ritmo de sono mais tardio do que crianças e adultos.
Dormir tarde, por si só, não é o problema. O sinal de alerta aparece quando a rotina se desorganiza a ponto de afetar o humor, a convivência familiar, a alimentação e a disposição. “Férias são para descansar, não para entrar em um caos completo. O descanso também precisa ter ritmo, ainda que mais flexível”, orienta.
Nesses momentos, impor regras rígidas costuma gerar o efeito contrário. O adolescente entende como controlar e reagir com resistência. O caminho mais saudável, segundo a especialista, é o diálogo e a construção de acordos possíveis, que respeitem a fase do adolescente e as necessidades da família.
Em vez de discutir diretamente sobre horários, Valma sugere criar pequenas âncoras no dia a dia: combinar refeições em horários parecidos, abrir a janela para entrar luz natural pela manhã, propor um programa leve fora de casa ou uma atividade pela manhã em alguns dias da semana. “Não é acordar cedo todo dia. É evitar que o relógio biológico se distancie demais da vida real”, diz.
Outro ponto importante é pensar no retorno às aulas com antecedência. Virar o relógio do sono de uma vez só costuma gerar estresse, mau humor e mais conflitos. “Ajustes progressivos, de 20 ou 30 minutos por dia, ajudam o corpo a acompanhar sem sofrimento”, afirma.
Quando o sono pode sinalizar outra coisa
Dormir muito ou em horários extremos também pode ser um pedido silencioso de pausa. Muitos adolescentes chegam às férias emocionalmente exaustos depois de um ano intenso de cobranças, provas e compromissos. Por isso, observar o comportamento geral — como humor, apetite e interesse pelas coisas — é tão importante quanto observar o relógio.
No fim das contas, o mais importante é enxergar seu filho. “Quando entendemos que o corpo do jovem funciona em outro ritmo, conseguimos construir acordos mais leves e eficazes. Não se trata de controlar o sono, mas de ajudar o adolescente a voltar ao ritmo sem sofrimento”, conclui Valma Souza.
5 estratégias que ajudam
Mais do que disciplinar, a ideia é criar um ambiente que o corpo do adolescente aceite com naturalidade. Algumas atitudes simples podem fazer diferença:
1. Incentivar a exposição à luz natural pela manhã.
2. Manter refeições em horários minimamente regulares.
3. Propor atividades leves fora de casa.
4. Estimular um desacelerar à noite, com menos estímulos antes de dormir.
5. Fazer o ajuste para o período letivo de forma gradual.



