Para Educadores
Novela das frutas, brain rot e (mais) uma preocupação para pais
Canguru News
A “novela das frutas”, parece desenho inocente, com personagens que são frutas, mas embutem cenas de violência, machismo…

Algumas das publicações da “novela das frutas” embutem cenas de violência e até insinuações sexuais
Uma “novela” protagonizada por frutas, com diálogos desconexos, humor absurdo e cortes rápidos, tem ocupado o tempo de tela de muita gente, incluindo, é claro, crianças e adolescentes. A princípio, parecem desenhos inocentes, com personagens que são frutas com comportamento humanizado.
O roteiro é simples, os vídeos são curtinhos, coloridos... Eles acabam prendendo a atenção de quem começa a assistir. E é aí que mora o problema. A estética tem apelo infantil, que até se passa por inocente, mas o conteúdo se encaixa no fenômeno que passou a ser chamado de brain rot, expressão usada para descrever conteúdos altamente estimulantes e com pouco desenvolvimento narrativo. E tem mais: algumas das publicações embutem cenas de violência, machismo, misoginia e até insinuações sexuais.
Sim, mais uma preocupação na lista já quase infinita de pais e mães da geração atual de crianças e adolescentes. Para cérebros em desenvolvimento, especialmente na infância e adolescência, o consumo excessivo de conteúdos em formato de vídeos rápidos, já podem dificultar a adaptação a atividades mais lentas, como leitura, tarefas escolares ou brincadeiras que exigem imaginação. Se somar isso ao conteúdo nocivo, piorou.
O acompanhamento dos pais é um dos principais fatores de proteção. Saber o que a criança assiste, observar mudanças de comportamento e conversar sobre os conteúdos ajuda a reduzir impactos. Também é importante lembrar que o consumo de telas é aprendido dentro de casa: quando o ambiente familiar prioriza vídeos curtos o tempo todo, a tendência é que a criança reproduza esse padrão.
Como lidar com o assunto?
Broncas e proibições sem nenhum tipo de explicação não costumam funcionar. Muitas vezes, têm o efeito o contrário. Aí é que a criança ou o adolescente vai querer assistir mesmo. A recomendação é buscar equilíbrio e mediação:
● Converse com o seu filho sobre os conteúdos que ele assiste na internet
● Assista junto com ele
● Limite o tipo de conteúdo e o tempo de vídeos curtos no dia (e explique o motivo, de uma forma que ele entenda, de acordo com a idade)
● Prefiram conteúdos mais longos e com narrativa
● Incentive brincadeiras offline e atividades criativas



