Cuidados com a Saúde
Todo mundo gripado? Temporada começa mais cedo e casos graves dobram
Canguru News
Com aumento precoce de casos graves, vacinar as crianças antes do pico da doença pode evitar internações e complicações

O vírus influenza continua sendo um dos principais responsáveis por quadros graves respiratórios no país
Nariz entupido, garganta arranhando, tosse, espirros, dor de cabeça, febre... Por aqui, todo mundo em casa já demonstrou um ou mais sintomas nas últimas semanas. A temporada de gripe se antecipou e veio com tudo neste ano. Em 2026, os casos graves da doença no Brasil dobraram em comparação com o mesmo período do ano passado, um alerta importante, especialmente para famílias com crianças pequenas.
A campanha de vacinação já está em andamento e ultrapassou a marca de 2 milhões de doses aplicadas nos primeiros dias. Ainda assim, a adesão segue abaixo do ideal diante da circulação antecipada do vírus. E esse detalhe faz toda a diferença.
Por que este ano exige mais atenção?
Tradicionalmente associada aos meses mais frios, a gripe apareceu mais cedo em 2026 e com mais força. Isso significa que o tempo para se proteger antes do pico da doença ficou menor.
Para os pequenos, o cuidado precisa ser redobrado. “A influenza não é uma simples gripe. Em crianças, pode evoluir com febre alta, prostração, pneumonia e até necessidade de internação”, alerta o pediatra Paulo Telles, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
Além disso, o vírus influenza continua sendo um dos principais responsáveis por quadros graves respiratórios no país, associado a uma parcela significativa das mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).
A infância, especialmente nos primeiros anos de vida, é um período em que o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento. Por isso, crianças menores de 5 anos (principalmente abaixo dos 2) fazem parte do grupo de maior risco para complicações.
“A vacinação reduz de forma importante as chances de pneumonia, hospitalizações e quadros graves”, explica a pediatra Elisabeth Fernandes.
Mesmo sendo amplamente recomendada, a vacina contra a gripe ainda gera dúvidas e isso pode atrasar a proteção. Um dos mitos mais comuns é o de que a vacina causa gripe. Mas isso não é verdade. “A vacina é feita com vírus inativado, ou seja, não tem capacidade de causar a doença. Quando alguém apresenta sintomas após a vacinação, geralmente já estava incubando outro vírus respiratório”, explica Paulo Telles.
Outro ponto importante: a vacinação precisa ser feita todos os anos. Isso acontece porque o vírus da gripe sofre mutações frequentes e a proteção diminui com o tempo.
Vacinar os pequenos também é uma forma de proteger toda a família. Isso porque a imunização ajuda a reduzir a circulação do vírus dentro de casa e na comunidade — o que é essencial para proteger bebês menores de 6 meses (que ainda não podem ser vacinados), idosos e pessoas com a saúde mais fragilizada.
Ainda dá tempo de se proteger!
A campanha nacional de vacinação segue até o fim de maio, com doses gratuitas disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde para os grupos prioritários. Com a circulação antecipada do vírus e a chegada dos meses mais frios, a recomendação dos especialistas é não adie! “A campanha não termina no Dia D. Ainda dá tempo e é fundamental se vacinar antes do pico da doença”, reforça Elisabeth Fernandes.



