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Parentalidade

5 frases para seguir firme quando é preciso dizer “não”

Canguru News

Aprender a lidar com a frustração é parte essencial do desenvolvimento emocional das crianças

3 min de leitura

24 de fevereiro de 2026

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5 frases para seguir firme quando é preciso dizer “não”

É possível sustentar limites com afeto, sem culpa, grito ou permissividade

Dizer “não” continua sendo um dos maiores desafios da parentalidade contemporânea. Entre o medo de traumatizar, a culpa de frustrar e o cansaço de lidar com choros intermináveis, muitos pais acabam cedendo, nem sempre por convicção, mas por exaustão. Para a psicopedagoga Cristiane Cristo, diretora pedagógica da Start Anglo Bilingual School (RJ), essa tensão revela um equívoco comum: a ideia de que frustração é algo que deve ser evitado a qualquer custo.

 

“Frustrar não é ferir. Frustrar é ensinar a criança a lidar com a realidade, com limites e com o outro. Quando evitamos qualquer desconforto, tiramos da criança a chance de desenvolver recursos emocionais importantes”, afirma.

 

Segundo ela, proteger em excesso pode, paradoxalmente, enfraquecer. Crianças que nunca escutam “não” tendem a apresentar mais dificuldade para lidar com espera, regras, conflitos e contrariedades ao longo da vida. “O limite bem colocado não rompe o vínculo. Pelo contrário. Ele organiza, dá contorno e transmite segurança”, explica.

 

Na prática, muitos adultos ainda associam limite a autoritarismo, uma associação equivocada, de acordo com a especialista. “A criança precisa saber até onde pode ir. Isso ajuda a organizar emoções e comportamentos. Quando tudo é permitido, ela fica insegura, mesmo que não saiba explicar”, diz ela.

 

Cristiane reforça um lembrete importante: “É possível acolher a frustração sem mudar a decisão. O erro mais comum é achar que acolher é abrir mão do limite”. O que a criança precisa não é de um “sim” constante, mas de adultos coerentes, previsíveis e emocionalmente disponíveis.

 

Como sustentar o “não” sem romper o vínculo?

Para a especialista, o tom é tão importante quanto o conteúdo. Gritos, ameaças ou longas explicações no auge da emoção tendem a escalar o conflito, em vez de resolver a situação e educar. “O adulto precisa sustentar o limite com calma, clareza e empatia. A criança aprende muito mais com a forma como o limite é colocado do que com o limite em si”, ensina.

 

Coerência também é fundamental. Quando o adulto volta atrás repetidamente, a criança aprende que insistir funciona. Isso aumenta o desgaste e enfraquece a autoridade.

 

Aprender a lidar com pequenas frustrações na infância, segundo Cristiane, é um treino para a vida adulta. “A criança que atravessa frustrações com apoio desenvolve tolerância, flexibilidade e capacidade de adaptação. Essas são competências fundamentais para relações saudáveis, vida escolar e futuro profissional”, afirma.  O papel do adulto, portanto, não é eliminar o desconforto, mas ajudar a criança a atravessá-lo. “É nesse processo que nasce a autonomia emocional”, resume. “A frustração não é inimiga da infância. Ela é parte do processo de crescer. Quando o adulto sustenta o limite com afeto, a criança se sente segura para sentir, aprender e amadurecer”, acrescenta.

 

Alguns comportamentos dos adultos acabam dificultando o processo, como evitar qualquer desconforto, ceder apenas para interromper o choro, usar o grito como ferramenta de controle, minimizar sentimentos (“isso não é nada”) ou tentar explicar excessivamente enquanto a criança está tomada pela emoção. Nesses momentos, menos é mais. Presença firme e poucas palavras funcionam melhor do que longos discursos.

 

5 frases para acolher sem ceder

Cristiane compartilha exemplos simples de como validar sentimentos e, ao mesmo tempo, manter o limite. São frases que reconhecem a emoção, sem negociar a regra, como:

●     “Eu entendo que você ficou chateada. Mesmo assim, hoje não vai dar.”

●     “Eu sei que você queria muito. É difícil lidar com isso.”

●     “Eu estou aqui com você enquanto isso passa.”

●     “Pode ficar bravo. O limite continua.”

●     “Seu sentimento é importante, mas a decisão é essa.”

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