Cultura
Meninas na ciência: nomes do Brasil que seu filho deveria conhecer
Canguru News
No Brasil temos vários exemplos que nos enchem de orgulho. Aqui, alguns nomes que as crianças precisam conhecer

Mesmo com descobertas femininas cruciais, a ciência foi vista por muito tempo como uma área majoritariamente masculina
No Brasil, uma descoberta recente chamou a atenção: uma equipe da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) mostrou resultados promissores com uma substância chamada polilaminina, que pode abrir caminho para novas pesquisas sobre recuperação de movimentos após a paralisia. A cientista à frente do trabalho é Tatiana Sampaio, pesquisadora que lidera os estudos sobre o tema. Embora muitas avaliações e testes ainda sejam necessários para compreender melhor os efeitos, a eficácia e os riscos da polilaliminina na medicina, Tatiana já tem feito a diferença, não só no campo científico, mas também na vida de milhões de meninas, que podem se inspirar nela e entender a importância de fazer ciência e todas as possibilidades que isso representa, para transformar a vida delas mesmas e o mundo.
Embora várias mulheres tenham feito descobertas revolucionárias ao longo da história, em várias partes do mundo, incluindo o Brasil, durante muito tempo, a ciência foi vista como uma área majoritariamente masculina. Diante da clássica pergunta: “O que você quer ser quando crescer?” era raro que uma menina respondesse “cientista”. Mas, felizmente, isso tem mudado – e muito!
Um experimento científico chamado “Draw a Scientist” (“Desenhe um cientista”, em tradução livre) ajuda a entender o que as crianças imaginam quando pensam em ciência. A ideia é essa mesma, que o nome já indica: os pesquisadores pedem que as crianças desenhem um cientista e analisam os resultados. Ao comparar as mudanças que aparecem nesses desenhos, ao longo dos anos, é possível entender que, conforme as meninas passam a ver mais mulheres cientistas em livros, filmes, séries, na escola e na mídia, os desenhos também mudam: começam a aparecer cientistas mulheres. É um sinal de que as crianças estão ampliando o que imaginam ser possível para si mesmas.
O que as pesquisas mostraram ao longo de décadas é bem interessante e nos enche de esperança! Nas pesquisas originais, feitas entre 1966 e 1977, com quase 5 mil desenhos, menos de 1% retratou uma cientista como mulher e isso só aconteceu em desenhos feitos por meninas. No entanto, nas mais de 80 repetições desse teste realizadas depois disso, com mais de 20 mil crianças, o número de desenhos com cientistas mulheres cresceu bastante. Em 1985, cerca de 33% das meninas desenhavam mulheres cientistas e em 2016 esse número chegou a 58%. A maioria dos meninos ainda desenham cientistas como homens, mas também houve aumento de representações femininas.
Outro ponto curioso é que, quando são crianças pequenas (por volta dos 6 anos), meninas e meninos tendem a desenhar cientistas de ambos os gêneros com mais equilíbrio. Conforme crescem, a associação de “cientista” com homens tende a voltar a aparecer, o que mostra como mensagens culturais e estereótipos influenciam a visão da ciência. Tudo isso sugere que a imagem que as crianças têm de quem pode ser cientista está se transformando, especialmente quando elas veem mais mulheres em papéis científicos. Isso é uma verdadeira revolução, porque pode ajudar meninas a imaginar a si mesmas como cientistas.
Além de Tatiana Sampaio, reunimos outros cinco exemplos de mulheres brasileiras que revolucionaram o mundo por meio da ciência – e que as crianças precisam conhecer. Mas atenção: este é só um “empurrãozinho”. Vale pesquisar mais e descobrir histórias interessantíssimas, de meninas que fizeram e fazem história, enquanto estudam, pesquisam, descobrem, inventam…
1) Nise da Silveira – psiquiatria
Nise revolucionou o cuidado com pessoas em sofrimento mental ao defender tratamentos mais humanos, com menos violência e mais escuta. Ela também mostrou a força da arte como expressão e caminho de cuidado.
2) Bertha Lutz – biologia
Zoóloga e pesquisadora, Bertha estudou anfíbios e trabalhou no Museu Nacional. Além da ciência, foi uma figura essencial na luta pelos direitos das mulheres no Brasil, ajudando a abrir portas que hoje parecem óbvias, mas não eram.
3) Jaqueline Goes de Jesus – biomedicina
No início da pandemia, Jaqueline coordenou a equipe que fez o sequenciamento do coronavírus no Brasil em tempo recorde. O trabalho dela foi fundamental para monitorar variantes e entender a evolução do vírus, que colocou a humanidade em xeque.
4) Lygia da Veiga Pereira – genética
Lygia da Veiga Pereira é uma das cientistas brasileiras mais respeitadas na área de genética e células-tronco. Está à frente do Projeto DNA do Brasil, que busca mapear o genoma de comunidades diversas do país para melhorar a base de dados genéticos brasileiros e tornar a medicina mais representativa e eficaz para todos.
5) Sônia Guimarães – física
Sônia foi a primeira mulher negra doutora em Física no Brasil. Ela atua com pesquisa, ensino e divulgação científica, sendo uma voz fundamental quando o assunto é inclusão e diversidade. Tornou-se professora do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), quando o instituto ainda não aceitava mulheres entre seus alunos, em 1993.



