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Emicida e Esther Duflo lançam livros que ajudam crianças a entender pobreza sem estereótipos

Canguru News

Nova coleção aposta em histórias sobre desigualdade, empatia e transformação social

3 min de leitura

03 de junho de 2026

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Emicida e Esther Duflo lançam livros que ajudam crianças a entender pobreza sem estereótipos

O livro aproxima as crianças de uma realidade compartilhada em diferentes partes do mundo

Como falar sobre pobreza com crianças sem cair em caricaturas, simplificações ou discursos distantes da realidade? Essa foi uma das perguntas que motivou a economista Esther Duflo, vencedora do Prêmio Nobel de Ciências Econômicas, a criar uma coleção infantil sobre desigualdade social. Os primeiros títulos da série, “Conta comigo” e “Volta por cima”, acabam de chegar ao Brasil pela Companhia das Letrinhas com ilustrações da artista francesa Cheyenne Olivier e comentários inéditos do rapper e escritor Emicida.

 

“Desde que eu era criança, queria escrever livros infantis. Esta é a verdadeira razão pela qual escrevi esses livros”, afirmou Esther, em entrevista ao Blog da Letrinhas. A autora, que também é professora do Massachusetts Institute of Technology e cofundadora do J-PAL, explica que sentia falta de histórias que retratassem pessoas em situação de pobreza de forma humana e complexa. “A maioria retrata os pobres de forma caricaturada, como heróis ou como vítimas completamente incompetentes. E eu achei importante mudar isso”, disse.

 

Desigualdade e possibilidades

 

Em “Conta comigo”, o menino Bibir se aproxima da idosa Konwu depois de perceber a situação de vulnerabilidade em que ela vive. Aos poucos, a história discute solidão, estigmas sociais e cuidado coletivo. Já “Volta por cima” conta a história de Imeuni, uma jovem que decide abrir um negócio após conseguir um microcrédito. A narrativa mostra que ter boas ideias nem sempre basta quando faltam oportunidades, orientação e apoio.

 

Os livros abordam questões como acesso desigual à educação, dificuldades financeiras, empreendedorismo feminino, exclusão social e envelhecimento na pobreza, mas sem apresentar soluções mágicas ou individualistas.

 

“As crianças pobres também são crianças”

 

Para Esther, um dos objetivos centrais da coleção é permitir tanto identificação quanto empatia. “Crianças pobres podem se reconhecer nos livros, porque não são normalmente representadas em toda sua humanidade. E as outras crianças podem perceber que as crianças pobres também são crianças, assim como elas”, explicou, na mesma entrevista.

 

Essa ideia de experiência compartilhada aparece também nas ilustrações de Cheyenne Olivier. Embora as histórias se passem em um povoado fictício, o cenário foi pensado para parecer universal. Nas páginas, aparecem crianças de diferentes tons de pele, casas simples, fios aparentes, fogueiras improvisadas e outros elementos que tornam a desigualdade reconhecível sem associá-la a um único país ou cultura.

 

O papel de Emicida nas histórias

 

A participação de Emicida é um dos diferenciais da edição brasileira. Nas páginas, ele aparece como um personagem ilustrado que conversa diretamente com leitores e famílias, ajudando a contextualizar as histórias dentro da realidade brasileira. “É mais divertido usar a imaginação do que apenas copiar os outros. Pense na sua realidade: se Imeuni morasse perto de você, em que ela poderia investir?”, questiona o artista em um dos trechos de “Volta por cima”.

 

Para Emicida, um dos grandes méritos do projeto é conseguir transformar um tema complexo em uma conversa acessível para crianças, sem perder profundidade. “Esses livros ajudam a expandir esse espectro e a fazer com que essa conversa ganhe mais naturalidade, para assim produzir a transformação com que a gente sonha”, diz o rapper, que já lançou outros livros infantis como Amoras e E foi assim que eu e a escuridão ficamos amigas (ambos também pela Companhia das Letrinhas).

 

A proposta da coleção é abrir espaço para que pobreza e desigualdade deixem de ser temas invisíveis ou distantes nas conversas com crianças e passem a ser entendidos como questões coletivas, humanas e que pode, sim, ser transformadas, desde que a gente as encare como realidade e não a partir de uma visão caricata.

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