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Nova York proíbe uso de inteligência artificial por alunos até o Ensino Médio

Canguru News

A nova medida busca reduzir a exposição às telas e estabelecer limites para o uso da inteligência artificial no ambiente escolar

4 min de leitura

11 de setembro de 2026

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Nova York proíbe uso de inteligência artificial por alunos até o Ensino Médio

Adolescentes terão aulas para aprender a usar a tecnologia de forma crítica

A cidade, que administra a maior rede pública de ensino dos Estados Unidos, anunciou uma pausa de um ano para o uso de ferramentas de IA generativa voltadas diretamente aos alunos até o 8º ano — o que seria equivalente, aqui no Brasil, à Educação Infantil até o fim do Ensino Fundamental. A medida atinge quase 600 mil estudantes.

 

A decisão foi divulgada pelo prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e pelo chanceler das escolas públicas da cidade, Kamar Samuels. A proposta, eles explicaram, não é declarar guerra à tecnologia, mas definir quando e como ela deve fazer parte da vida escolar das crianças. “A criança precisa de seus professores e da conexão humana para aprender e crescer”, afirmou Samuels durante o anúncio. Para ele, aprender também significa enfrentar problemas difíceis, errar, tentar novamente e finalmente encontrar uma solução — um processo que não deveria ser terceirizado para uma máquina.

 

A proposta surgiu após meses de pressão de pais, professores e organizações preocupadas com a presença cada vez maior da inteligência artificial nas escolas. Um dos principais receios é de que ferramentas generativas possam fazer pelo aluno aquilo que ele deveria aprender a fazer sozinho, como escrever textos, resolver problemas, responder perguntas ou organizar ideias.

 

Mamdani resumiu a visão da prefeitura ao dizer que as crianças precisam aprender a pensar por conta própria, trabalhar com os colegas, fazer perguntas melhores e experimentar também a sensação de não saber uma resposta. Durante o anúncio, o prefeito também disse não ter visto estudos demonstrando benefícios para alunos do ensino fundamental e médio inicial, com exceção de pesquisas patrocinadas por empresas que lucram com essas tecnologias.

 

De acordo com as novas normas, os adolescentes não ficarão simplesmente sem contato com a inteligência artificial. Para estudantes do Ensino Médio, a estratégia não será proibir, mas ensinar como a tecnologia funciona, quais são seus riscos e como utilizá-la de maneira responsável. Todos os alunos desta faixa educacional deverão participar de dois módulos de 45 minutos de alfabetização em IA ao longo do ano. As aulas abordarão temas como vieses, riscos, desinformação, ética e dependência excessiva da tecnologia.

 

E tem mais: algumas escolas participarão de projetos-piloto com cinco ferramentas educacionais de IA previamente avaliadas. O uso será limitado a no máximo 45 minutos por semana e sempre sob supervisão direta de um professor.

 

A lógica é preparar os adolescentes para um mundo em que a inteligência artificial provavelmente fará parte da vida acadêmica e profissional, mas sem permitir que a tecnologia substitua a relação entre professor e aluno.

 

E os professores podem usar inteligência artificial?

Sim — mas com restrições. Os professores poderão utilizar ferramentas de IA para determinadas atividades, como planejamento de aulas e tarefas administrativas. No entanto, não poderão utilizá-las para funções como avaliação e correção de trabalhos ou monitoramento comportamental dos alunos.

 

A ideia é que a tecnologia possa ajudar o professor nos bastidores, mas não substitua o julgamento profissional nem a relação humana com a criança.

 

Também foram apresentadas recomendações de limite de tempo de tela durante as atividades escolares:

●     3º ao 5º ano: até 30 minutos;

●     6º ao 8º ano: até 45 minutos.

 

Além da tecnologia.

Para a prefeitura de Nova York, há uma diferença importante entre ensinar uma criança a usar uma ferramenta e permitir que essa ferramenta faça por ela aquilo que deveria ser parte do processo de aprendizagem. O chanceler Kamar Samuels lembrou que quando uma criança está aprendendo a ler ou a resolver uma equação, o processo de tentar, errar e tentar novamente é parte da aprendizagem. É esse chamado “esforço produtivo” que a política pretende proteger.

 

A preocupação é que, quando uma criança pode recorrer imediatamente a uma ferramenta que produz uma resposta pronta, ela deixe de experimentar justamente a parte mais difícil — e também mais importante — do aprendizado: pensar sobre o problema.

 

A decisão de Nova York não chega às escolas brasileiras, mas traz uma discussão que também já chegou às famílias daqui: qual é o papel da inteligência artificial na infância? Proibir ou liberar a tecnologia não precisa ser uma decisão de tudo ou nada.

 

As crianças podem crescer cercadas de inteligência artificial e, ainda assim, precisar de oportunidades para escrever com as próprias palavras, resolver um problema sem receber a resposta imediatamente, brincar, conversar, pesquisar em livros, fazer perguntas e aprender com os próprios erros. Cada vez mais, adolescentes precisarão entender como a IA funciona, reconhecer seus erros e vieses, questionar respostas produzidas por máquinas e saber identificar quando uma tecnologia está ajudando — e quando está pensando por eles.

 

“As crianças precisam aprender a pensar por conta própria”, declarou Mamdani. Em um mundo em que uma máquina pode responder quase qualquer pergunta em uma questão de segundos, como garantir que as crianças continuem aprendendo a fazer as perguntas certas?

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