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Novo desafio das redes sociais ameaça crianças e adolescentes

Canguru News

Pediatra faz alerta sobre trend que circula na internet, incentivando a ingestão excessiva de medicamento

4 min de leitura

03 de março de 2026

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Novo desafio das redes sociais ameaça crianças e adolescentes

Novo desafio viral com paracetamol preocupa médicos pelo alto risco de intoxicação grave e falência hepática aguda

Um novo “desafio” que circula entre crianças e adolescentes nas redes sociais tem preocupado profissionais de saúde: o chamado “desafio do paracetamol”. A proposta é perigosa: incentivar a ingestão de grandes quantidades do medicamento, comum em praticamente todas as casas, para testar “quem aguenta mais”.

 

Apesar de ser amplamente utilizado para dor e febre, o analgésico pode causar intoxicação grave quando ingerido em doses acima das recomendadas. Em excesso, ele atinge principalmente o fígado e pode levar à falência hepática aguda, uma condição potencialmente fatal.

 

O que é o “desafio do paracetamol”?

A tendência, que tem aparecido em vídeos curtos e fóruns online, estimula jovens a ingerirem comprimidos de paracetamol em quantidade muito superior à dose segura. Em alguns casos, o “objetivo” seria provar resistência; em outros, gerar engajamento ou chamar atenção. Quem faz o alerta nas redes sociais é o pediatra Daniel Becker, autor do perfil Pediatria Integral e ativista pela infância. “Essa história precisa acordar as famílias para um perigo extremo”, diz ele. Segundo o médico, já são 56 crianças e adolescentes mortos por desafios na internet e este é mais um deles.

 

O risco é ainda maior porque o medicamento é de fácil acesso, vendido sem retenção de receita e presente na maioria das residências. É preciso reforçar que o paracetamol (também conhecido como acetaminofeno) é seguro quando utilizado corretamente. O perigo está na superdosagem.

 

Quando ingerido em excesso, o fígado não consegue metabolizar adequadamente a substância. Isso leva à produção de um metabólito tóxico que destrói células hepáticas. O quadro pode evoluir em poucas horas ou dias para:

 

●     Náuseas e vômitos intensos

●     Dor abdominal

●     Icterícia (pele e olhos amarelados)

●     Insuficiência hepática

●     Necessidade de transplante de fígado

●     Risco de morte

 

Um agravante é que, nas primeiras horas, os sintomas podem parecer leves, o que atrasa a busca por socorro.

 

Para Daniel Becker, o desafio é mais um reflexo de um cenário digital que se tornou perigoso para crianças e adolescentes. "O perigo extremo ao qual as crianças estão expostas na internet de forma geral, está atingindo níveis de insanidade”, pontua. Ele amplia o aviso para o uso das redes e como elas podem oferecer riscos, sobretudo para os pequenos e para os jovens. “São danos à saúde física, mental, a inteligência, a capacidade de aprendizado, ao sono, que é essencial, aos relacionamentos e à inteligência social. São danos aos meninos, viciados em pornografia, jogos online violentos, redes de misoginia e ódio e cyber bullying, naturalizando sadismo e maldades; às meninas, expostas a transtornos alimentares e baixa a autoestima pelas comparações ascendentes com blogueiras mentirosas que vendem seus corpos artificiais para na verdade vender produtos. É a disseminação do ódio, do fascismo, do negacionismo científico e climático, a ansiedade, a depressão, o pânico, e também o suicídio, que estão aumentando muito”, alega.

 

Segundo ele, os chamados “desafios” não surgem isoladamente, mas fazem parte de um ambiente digital que recompensa o choque, o risco e a exposição. Os adolescentes são atraídos porque, entre outros fatores, buscam pertencimento, sofrem pressão do grupo, e estão sujeitos à impulsividade, que é típica da idade, já que o cérebro ainda está em desenvolvimento. Além disso, por conta da imaturidade, costumam subestimar os riscos. O desejo de viralizar acaba sendo maior.  Tudo isso acaba tornando esse público mais vulnerável a comportamentos de risco.

 

O que os pais precisam fazer?

Diante desse cenário, algumas medidas são fundamentais:

- Converse abertamente – Pergunte se seu filho já ouviu falar sobre este e outros desafios. Fale sobre os riscos reais, sem alarmismo, mas com clareza.

- Guarde medicamentos fora do alcance – Remédios devem ficar armazenados em locais seguros, mesmo quando os filhos já são maiores.

- Fique de olho em mudanças de comportamento – Isolamento repentino, segredos excessivos, alterações de humor e consumo escondido de medicamentos são sinais de alerta.

- Procure ajuda imediatamente em caso de suspeita – Se houver suspeita de ingestão excessiva, não espere sintomas. Procure atendimento médico urgente.

- Supervisione e limite o uso da internet e das redes sociais – Da mesma forma que você não deixaria seu filho sozinho na rua, sem saber com quem ele está ou o que está fazendo, não faça isso no ambiente virtual. Os riscos podem ser equivalentes e, às vezes, até maiores.

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