Parentalidade
Seu filho te desafia o tempo todo? O problema pode não estar nele...
Canguru News
A neuropsicopedagoga Isa Minatel aponta 5 erros comuns que aumentam disputas, resistência e conflitos em casa

Disputas de poder e falta de consistência nas regras são armadilhas que desgastam a relação e minam a conexão
Pais amorosos, acolhedores, que respeitam os filhos... Ainda assim, às vezes, parece que nada é suficiente. Por que será que, em alguns casos, as crianças apresentam comportamentos desafiadores com os pais, o tempo todo? Prepare-se porque a resposta pode ser desconfortável: na maioria dos casos, o problema não está nos pequenos e, sim, nos próprios adultos.
O alerta é da neuropsicopedagoga Isa Minatel, especialista em comportamento infantil e autora dos best-sellers “Crianças Sem Limites” e “Temperamentos Sem Limites”. Segundo ela, muitos conflitos familiares são alimentados por práticas que até são consideradas “educação firme”, mas que, na prática, ampliam a resistência. “A criança não desafia porque quer dominar o adulto. Ela reage ao modelo que está sendo apresentado. Quando o adulto compete, ameaça ou muda as regras conforme o cansaço, a criança aprende a se defender, em vez de aprender a cooperar”, explica.
Segundo a especialista, disputas de poder, regras inconsistentes e ameaças emocionais são comportamentos tão normalizados que passam despercebidos. O resultado? Mais enfrentamento, mais desgaste e menos conexão.
A seguir, ela lista cinco erros comuns que, em vez de educar, intensificam os comportamentos considerados “difíceis” pelos adultos.
1. Transformar educação em disputa de poder
Frases como “é agora!”, “já falei!” e “porque eu mandei” costumam surgir em momentos de exaustão. Mas, para Isa, esse tipo de abordagem cria um verdadeiro cabo de guerra emocional. “Quando o adulto entra na disputa, a criança sente que precisa vencer. Guia não compete. Guia orienta”, diferencia. Na prática, quanto mais o adulto eleva o tom para impor autoridade, mais a criança tende a resistir, especialmente aquelas com perfil mais questionador ou independente.
2. Mudar regras de acordo com o seu humor
Um comportamento permitido em um dia e proibido no outro gera insegurança. A criança não entende o que é esperado dela. “A criança não aprende a regra, ela aprende a testar o estado emocional do adulto”, diz. Segundo a especialista, previsibilidade é um dos pilares da segurança emocional. Quando as regras variam conforme o cansaço, a pressa ou o estresse dos pais, a criança perde a referência.
3. Usar ameaça emocional como se fosse limite
“Vou contar para o seu pai”, “Então você não vai mais comigo” ou “Se continuar assim, a mamãe vai ficar triste”. Reconhece essas frases? Elas são comuns e, muitas vezes, saem quase de forma automática. O problema é que, segundo Isa, elas não ensinam autorregulação, mas medo. A criança pode até obedecer no curto prazo, mas o aprendizado não é interno. Ela age para evitar punição emocional, não porque compreendeu o limite.
4. Ignorar o temperamento da criança
Nem toda criança responde da mesma forma à mesma abordagem. Algumas são mais sensíveis; outras, mais intensas ou líderes naturais. “O mesmo pedido, feito do jeito errado, vira conflito”, explica a especialista. Falar alto com crianças sensíveis pode gerar retraimento ou choro. Já usar ordens secas com crianças de perfil mais dominante pode provocar confronto direto. Para a especialista, adaptar a comunicação ao temperamento não é “ceder”, mas tornar a orientação mais eficaz.
5. Querer obediência antes de compreensão
Esse, segundo Isa, é um dos erros mais defendidos por adultos que acreditam que “criança precisa aprender quem manda”. “Sem vínculo, toda orientação soa como ataque. Primeiro é preciso acompanhar emocionalmente, depois conduzir”, explica. Isso não significa abrir mão de limites, mas compreender que conexão e orientação caminham juntas. Quando a criança se sente compreendida, tende a cooperar com mais facilidade.
Disciplina sem violência emocional
Isa Minatel defende uma abordagem baseada na chamada “Disciplina do Equilíbrio”. Você já ouviu falar? Trata-se de um método que propõe limites claros sem humilhação, medo ou ameaças, respeitando o desenvolvimento neurológico e o temperamento infantil. A ideia central é simples, mas desafiadora: sair da lógica de confronto e entrar na lógica de formação. “O desafio diminui drasticamente quando a criança sente: ‘ele me entende’. Educação não é sobre vencer a criança, é sobre formar um adulto emocionalmente saudável”, conclui.



