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Parentalidade

O erro que muitos pais cometem ao usar mesada para ensinar responsabilidade

Canguru News

Pesquisa da USP mostrou que crianças que recebem mesada sem contrapartidas aprendem mais sobre educação financeira

2 min de leitura

26 de maio de 2026

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O erro que muitos pais cometem ao usar mesada para ensinar responsabilidade

O estudo analisou dados de cerca de 38 mil adolescentes de 15 anos

Muitos pais acreditam que atrelar a mesada a tarefas domésticas é a melhor forma de ensinar responsabilidade. Afinal, lavar a louça, arrumar o quarto ou tirar boas notas em troca de dinheiro é uma preparação para a vida adulta. Mas uma nova pesquisa, publicada na revista Estudos Econômicos, da Universidade de São Paulo (USP), sugere justamente o contrário: crianças e adolescentes aprendem mais sobre finanças quando recebem mesada sem que ela seja condicionada a obrigações domésticas ou recompensas por comportamento.

 

O estudo analisou dados de cerca de 38 mil adolescentes de 15 anos, participantes do Pisa 2018, uma avaliação internacional coordenada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, que também mede conhecimentos em educação financeira.

 

Os pesquisadores Ivana Carla Strapazzon, Marco Tulio Aniceto França e Gustavo Saraiva Frio concluíram que jovens que recebem mesada de forma regular — sem precisar “merecer” o valor — apresentam desempenho melhor em temas ligados ao uso do dinheiro. Segundo o levantamento, os adolescentes avaliados demonstraram conhecimentos relacionados a:

 

●     Planejamento financeiro;

●     Compreensão sobre dinheiro;

●     Gestão das finanças;

●     Reconhecimento de riscos;

●     Tomada de decisão financeira.

 

A diferença nas notas não foi enorme, mas chamou atenção dos pesquisadores justamente por contrariar uma ideia bastante comum entre famílias. De acordo com os autores, um dos possíveis motivos é que a mesada sem contrapartida favorece mais autonomia e aprendizado prático sobre escolhas financeiras. Já quando o dinheiro depende de tarefas, parte do tempo dos adolescentes acaba sendo direcionada apenas ao cumprimento dessas obrigações.

 

Em entrevista repercutida pela Folha de S.Paulo, a pesquisadora Ivana Strapazzon explicou que a educação financeira acontece principalmente quando os jovens podem tomar decisões reais sobre o próprio dinheiro — inclusive errar. Isso significa que a mesada funciona melhor como ferramenta de aprendizado do que como pagamento.

 

A pesquisa também reforça uma discussão importante para as famílias: ajudar em casa não deveria depender de recompensa financeira. Especialistas em desenvolvimento infantil defendem que pequenas responsabilidades domésticas fazem parte da convivência familiar e ajudam crianças a desenvolver senso de pertencimento e colaboração.

 

Ao mesmo tempo, permitir que filhos administrem pequenas quantias pode ensinar habilidades difíceis de desenvolver, como esperar, economizar, planejar e lidar com frustrações após compras impulsivas.

 

Mais do que o valor da mesada, os pesquisadores destacam que o principal aprendizado está nas conversas cotidianas sobre dinheiro dentro de casa. Falar sobre orçamento, consumo, prioridades e planejamento continua sendo uma das formas mais eficazes de preparar crianças e adolescentes para a vida financeira adulta.

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