Para Educadores
Quatro escolas brasileiras chegam à final de prêmio internacional de educação
Canguru News
Instituições do Rio de Janeiro, Amazonas, Mato Grosso e Pará estão entre as 50 finalistas do World's Best School Prizes 2026

A iniciativa reconhece escolas com projetos de impacto social, inovação e engajamento com a comunidade
Uma escola que começa o dia ouvindo como os alunos estão se sentindo. Outra que ensina matemática e ciências sem deixar de lado a língua e os conhecimentos tradicionais indígenas. Uma terceira que organiza a educação infantil em ambientes temáticos para estimular a curiosidade. E ainda uma quarta que aposta na inclusão e na educação científica, mesmo longe dos grandes centros urbanos.
Essas iniciativas levaram quatro escolas brasileiras à lista das 50 finalistas do World's Best School Prizes 2026, uma premiação realizada pela organização internacional T4 Education para reconhecer projetos educacionais capazes de transformar a aprendizagem e gerar impacto positivo em suas comunidades.
Diferentemente de rankings que medem desempenho acadêmico, o prêmio não escolhe a "melhor escola do mundo". As instituições concorrem em cinco categorias — colaboração com a comunidade, ação ambiental, inovação, superação de adversidades e promoção de vidas saudáveis — e são avaliadas pelo conjunto de suas práticas e pelos resultados que elas produzem dentro e fora da sala de aula.
Ao todo, dez escolas são selecionadas como finalistas em cada categoria, formando um grupo de 50 instituições de diferentes países. Depois dessa etapa, um júri internacional escolhe as vencedoras de cada categoria. Paralelamente, o público pode participar de uma votação para eleger a escola favorita na categoria Community Choice Award, um reconhecimento separado da avaliação técnica.
Brasileiras entre as finalistas
O Brasil é representado por quatro instituições bastante diferentes entre si, mas que têm em comum o compromisso com uma educação conectada à realidade dos estudantes.
O Ginásio Educacional Tecnológico (GET) IV Centenário, localizado no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, foi reconhecido pelo trabalho de acolhimento emocional. A escola incorporou momentos de escuta ativa dos alunos à rotina e desenvolve ações para fortalecer o vínculo entre estudantes, famílias e comunidade.
No Amazonas, a Escola Baniwa Kalipana, situada na Terra Indígena Alto Rio Negro, em São Gabriel da Cachoeira, chamou a atenção por integrar os conteúdos da educação básica aos conhecimentos tradicionais do povo Baniwa. A proposta inclui o fortalecimento da língua indígena, a valorização da cultura local e ações voltadas à preservação ambiental.
Em Cuiabá, o Centro de Educação Infantil Rosa Mutran Maluf foi selecionado pela organização em ambientes temáticos de aprendizagem, que estimulam a experimentação, a autonomia e o contato das crianças com práticas permanentes de educação antirracista desde os primeiros anos de vida.
Já o Centro Educacional Primeiro Mundo, em Canaã dos Carajás (PA), chegou à fase final pelo trabalho voltado à inclusão e ao incentivo à educação científica. A escola atende estudantes com diferentes perfis — incluindo indígenas, crianças com deficiência e alunos neurodivergentes — e desenvolve projetos que aproximam os jovens da pesquisa e das olimpíadas acadêmicas.
Mais inspiração, menos competição
Estar entre os finalistas não significa que essas escolas sejam, objetivamente, as melhores do planeta. O próprio regulamento da premiação deixa claro que o objetivo é identificar experiências inspiradoras que possam servir de exemplo para outros sistemas de ensino.
Ainda assim, a seleção tem relevância por dar visibilidade internacional a projetos brasileiros que enfrentam desafios importantes, que vão da educação em territórios indígenas às escolas localizadas em áreas socialmente vulneráveis ou distantes dos grandes centros urbanos.
Para as famílias, a lista também ajuda a ampliar o olhar sobre o que caracteriza uma escola de qualidade. Além do desempenho acadêmico, iniciativas como acolhimento, inclusão, participação da comunidade, respeito às diferenças e desenvolvimento socioemocional aparecem cada vez mais como componentes importantes de uma educação integral.
Nos últimos anos, organismos internacionais como a UNESCO e a OCDE têm reforçado que competências como colaboração, pensamento crítico, criatividade, cidadania e bem-estar são fundamentais para a formação das crianças e dos adolescentes, complementando a aprendizagem dos conteúdos tradicionais.
Como funciona a escolha dos vencedores?
Os vencedores de cada categoria serão definidos por um júri internacional formado por especialistas em educação. Paralelamente, o público pode votar online para escolher o Community Choice Award, uma premiação independente da decisão técnica.
Independentemente do resultado final, a presença de quatro escolas brasileiras entre as 50 finalistas já representa um reconhecimento a projetos que mostram como diferentes caminhos podem contribuir para transformar a educação.



