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5 atitudes simples que estimulam as crianças a gostarem de ler
Canguru News
A concorrência digital desafia famílias e escolas a tornarem a leitura um hábito prazeroso e constante

Crianças de 5 a 10 anos lideram a leitura no Brasil, com 38% lendo por iniciativa própria e prazer.
A leitura ganha força na infância, especialmente entre os 5 e 10 anos, idade em que o interesse pelos livros atinge seu ápice no Brasil. De acordo com o Instituto Pró-Livro, essa faixa etária lê cerca de 7,27 obras por ano, e o dado mais animador da pesquisa Retratos da Leitura 2024 é a motivação: 38% das crianças leem por iniciativa própria e prazer, evidenciando um terreno fértil para a formação de novos leitores.
No entanto, transformar a leitura em um hábito e em um prazer não tem sido uma tarefa tão simples. O principal desafio para fomentar a leitura inclui a concorrência com dispositivos digitais, o que reforça o papel fundamental de famílias, escolas e organizações da sociedade civil.
Mas o que faz uma criança querer ler e continuar lendo ao longo da vida?
Para Malu Carvalho, especialista em leitura do Grupo Eureka, a resposta não está em metas, listas obrigatórias ou cobranças precoces, e sim na experiência afetiva em torno do livro. Em entrevista exclusiva, ela dá cinco dicas práticas que podem transformar a relação das crianças com a leitura:
Transforme a leitura em encontro, não em tarefa
Ler junto é um gesto de presença. Quando a leitura acontece como tempo compartilhado, sem cobrança de desempenho ou “resposta certa”, ela vira espaço de troca, afeto e escuta. O livro deixa de ser obrigação e passa a ser companhia.
Ofereça livros diversos e permita escolhas
Não existe um único caminho leitor. Diferentes gêneros, temas, formatos e linguagens ampliam o repertório e respeitam interesses individuais. Escolher o que ler é um passo essencial para a autonomia e para uma relação significativa com os livros.
Valorize a leitura para além das palavras
Imagens, silêncios, gestos, memórias e experiências também são leitura. Antes mesmo de saber ler letras, a criança já lê o mundo. Reconhecer isso amplia o sentido do ato de ler e fortalece a confiança do leitor em formação.
Crie ambientes leitores vivos e acessíveis
Livro bom é livro que circula. Estantes baixas, livros pela casa, cantinhos improvisados na escola ou na sala comunicam que a leitura faz parte da vida cotidiana.
Converse sobre as leituras, sem buscar respostas prontas
Falar sobre um livro é prolongar a experiência. Perguntas abertas, comentários espontâneos e escuta atenta ajudam a construir sentidos juntos. Não é sobre concluir, mas sobre partilhar impressões, dúvidas e descobertas.
“Quando essa experiência se repete no cotidiano, a criança descobre que os livros não apenas divertem: eles acompanham, permanecem e ajudam a compreender o mundo e a si mesma”, resume Malu.
4 sugestões de livros para começar JÁ
Para colocar as atitudes em prática, Malu indica quatro títulos infantis e infantojuvenis que ajudam a compor uma biblioteca diversa e cheia de significado:
Vida em Marte, de Christian David e Flavio Soares (Editora Casa do Lobo) – Aventura em quadrinhos que mistura humor e ficção científica, acompanhando um menino nascido em Marte e uma capivara alienígena. Ideal para leitores curiosos e fãs de HQ.
Nós, de Victor Peres e Perez (Editora Eureka) – Uma história sensível sobre vínculos, crescimento e convivência, que fala de afeto e autonomia no tempo da infância.
A Minha Pessoa Preferida, de Kiara Terra (Editora Casa do Lobo) – Memória, imaginação e relação entre gerações se encontram em um livro delicado sobre presença e lembranças.
Os Barcos, de Eliandro Rocha e Alexandre Rampazo (Editora Casa do Lobo) – A partir das enchentes no RS em 2024, a obra aborda solidariedade e esperança pelo olhar infantil, com sensibilidade e cuidado.



