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Volta às aulas: Como preparar o seu filho para o novo ano letivo
Canguru News
Restabelecer o sono e acolher os sentimentos precocemente garante segurança emocional para a readaptação escolar

O retorno escolar é um mergulho em emoções. Acolher as expectativas e sentimentos é o primeiro passo para uma adaptação segura
Algumas crianças sentem saudade dos amigos, dos professores, se empolgam ao arrumar o novo material escolar e a preparar o uniforme. Outras não querem nem pensar em voltar a frequentar a sala de aula, acordar cedo, estudar, ter rotina. Seja qual for o estilo do seu filho, saiba que é fundamental que o preparo emocional dele para a readaptação às atividades, depois desse longo período de descanso, comece agora – mesmo que as aulas ainda levem alguns dias para recomeçar. Nada de deixar para a última hora!
A preparação mais importante é emocional. Afinal, voltar à rotina escolar significa lidar com expectativas, medos, reencontros e mudanças que nem sempre são fáceis de nomear. É importante lembrar que a volta às aulas é uma transição e precisa ser tratada com respeito. “A criança não volta para a escola apenas com a mochila. Ela volta com emoções, inseguranças, curiosidades e expectativas que precisam ser acolhidas”, lembra a pedagoga Cristiane Cristo, diretora pedagógica da Start Anglo Bilingual School (RJ). Segundo ela, quando o adulto foca apenas em listas de material e horários, perde a chance de fortalecer o vínculo, que é a base para uma adaptação mais tranquila.
Sono, rotina e previsibilidade ajudam mais do que conteúdo
O primeiro passo para preparar a criança não envolve livros nem exercícios escolares. Começa com ajustes graduais na rotina, especialmente no sono. Retomar horários mais regulares para dormir e acordar ajuda o corpo a se reorganizar e prepara o emocional para o ritmo que está por vir.
“O corpo precisa entender que um novo ritmo está chegando. Quando a criança dorme melhor, ela lida melhor com frustrações, mudanças e desafios”, explica a especialista. Refeições feitas com calma e dias menos corridos também contribuem para reduzir a irritabilidade e a ansiedade comuns no período que antecede o início das aulas.
Conversar é mais importante do que explicar
Além da rotina física, o diálogo tem papel central nesse processo. Falar sobre a escola, perguntar como a criança se sente e ouvir com atenção cria um ambiente de segurança. “Perguntar o que ela espera, o que a anima ou o que preocupa é muito mais potente do que discursos prontos”, orienta a educadora.
Expectativa não é sinônimo de ansiedade, pelo menos quando existe acolhimento. O problema surge quando a volta às aulas é encarada como uma cobrança ou como uma comparação com outras crianças. “A escola deve ser vista como um espaço de convivência, descobertas e crescimento, não como um lugar de desempenho constante”, diz Cristiane.
Outro ponto importante é reforçar a sensação de continuidade entre casa e escola. Relembre experiências positivas, fale dos amigos, dos professores e dos espaços conhecidos. Isso ajuda a criança a perceber que há várias coisas boas esperando por ela. “A criança precisa sentir que não está sendo ‘jogada’ em um novo ano, mas dando continuidade a uma história que já começou”, afirma a pedagoga.
5 atitudes simples que fazem diferença
Alguns gestos cotidianos ajudam muito nesse preparo emocional e você pode começar a fazer já com seu filho. Tente:
● Ajudar a retomar o sono aos poucos, evitando mudanças bruscas nos horários.
● Conversar sem pressionar, ouvindo mais do que falando.
● Relembrar experiências positivas da escola, fortalecendo o sentimento de pertencimento.
● Evitar discursos de cobrança, priorizando convivência e aprendizado.
● Estar emocionalmente disponível, oferecendo presença e segurança.
“A criança que se sente segura aprende melhor, se relaciona melhor e enfrenta desafios com mais autonomia”, conclui a educadora.



