Parentalidade
5 formas de lidar com as explosões de raiva das crianças, sem perder a calma junto
Canguru News
Seu filho grita, chora, joga coisas no chão... O que fazer para encerrar ou amenizar a crise? O primeiro passo é tentar manter a sua calma

Quando a criança ainda é muito pequena, ela sente emoções intensas, mas não consegue entender ou dizer o que é
Tem dias em que parece que a criança acordou decidida a testar todos os limites da casa. Ela não quer o copo azul e sim o roxo. A banana está cortada “do jeito errado”. Ela não quer vestir a roupa. Não quer tomar banho. O prato de comida foi parar no chão. É choro, grito, se joga no chão...
Dá até vontade de chorar junto ou ver quem grita mais alto. Parece que nada é capaz de fazê-la parar. O desespero é real. Mas, antes de entrar em pânico, respire.
Uma mudança de olhar pode transformar tudo. A explosão de raiva não é necessariamente um comportamento que a criança tem de propósito, com o objetivo de te desafiar. Especialmente nos primeiros anos, ela ainda está desenvolvendo as habilidades necessárias para reconhecer, expressar e regular emoções intensas.
Isso não significa permitir agressões ou deixar de impor limites. No entanto, ajuda a entender que, durante uma crise, ensinar ou dar sermão costuma funcionar menos do que regular primeiro e conversar depois.
Veja cinco atitudes que podem ajudar.
1. Primeiro, tente manter a SUA calma
É provavelmente o conselho mais difícil — justamente porque, quando a criança grita, nosso corpo também entra em alerta. A tendência pode ser aumentar o tom de voz, ameaçar ou repetir “para de chorar” várias vezes. Mas uma criança em plena explosão emocional não precisa encontrar outro sistema nervoso desregulado pela frente. Antes de agir, respire. Abaixe o tom. Diminua a quantidade de palavras. Você pode pensar: “Meu filho está tendo dificuldade para lidar com o que está sentindo. Eu não preciso sentir a mesma coisa”. É preciso assumir o papel de adulto naquela situação.
2. Dê nome ao que está acontecendo
Quando a criança ainda é muito pequena, ela sente emoções intensas, mas não consegue entender ou dizer o que é. Você pode ajudá-la: “Você ficou muito bravo porque eu disse que era hora de ir embora” ou “Você queria muito aquele brinquedo” ou ainda “Você está frustrado porque não conseguiu fazer sozinho”. Dar nome não faz a raiva desaparecer imediatamente. Mas ajuda a criança, aos poucos, a construir um vocabulário para aquilo que acontece dentro dela. E validar o sentimento é diferente de aprovar o comportamento. Você pode dizer: “Tudo bem ficar bravo. Mas não podemos bater ou machucar alguém”. A emoção da criança pode existir, mas ela não pode lidar com ela de formas que prejudiquem a ela mesma ou quem está ao redor.
3. Mantenha o limite — mesmo durante o choro
Uma explosão emocional não pode fazer o adulto abandonar todos os limites. Se a criança está batendo, por exemplo, você pode impedir o movimento e dizer com firmeza e poucas palavras: “Eu não vou deixar você bater”. Se ela está jogando objetos: “Não vou deixar você jogar isso. Vou guardar”. Quanto mais alterada a criança estiver, menos discurso é necessário. Não é a hora de explicar durante dez minutos por que bater é errado, fazer perguntas sobre respeito ou aplicar uma grande consequência. O cérebro dela está ocupado demais tentando lidar com a emoção. O limite pode ser firme sem ser agressivo.
4. Não tente resolver tudo no auge da crise
É muito tentador perguntar: “Por que você fez isso?” “Você não entende que não pode?” “Quantas vezes eu já falei?”. Mas talvez seja melhor deixar a conversa para depois. Quando a criança estiver mais tranquila, aí sim você pode voltar ao episódio: “Você ficou muito bravo quando tivemos que ir embora. Da próxima vez, podemos tentar respirar juntos” ou “Você queria o brinquedo e ficou frustrado. Quando estiver bravo, pode me chamar. Não precisa bater”. É nesse momento que existe espaço para ensinar estratégias de autorregulação e pensar em alternativas. Durante a tempestade, o objetivo principal é atravessá-la com segurança.
5. Depois, reconecte
Essa talvez seja a parte que mais alivia o coração dos adultos. Depois de uma explosão, quando todos estiverem tranquilos, não é preciso transformar o episódio em uma espécie de julgamento da criança. Você pode acolher: “Foi difícil para você”, “Você ficou muito bravo”, “Eu estou aqui”. Se houve agressão, o limite continua: “Eu te amo e vou sempre cuidar de você. E não podemos machucar as pessoas”. A criança aprende, pouco a pouco, que uma emoção intensa não destrói o vínculo. Ela pode ficar com raiva, perder o controle, errar. E ainda assim continua sendo amada e pode reparar o que aconteceu.



