Para Educadores
7 experiências simples que ajudam a criança a desenvolver habilidades para a vida
Canguru News
Brincar livre, sentir tédio, fazer escolhas e até lidar com pequenas frustrações são situações que contribuem para autonomia e empatia

A criança também aprende quando ajuda a guardar os brinquedos, escolhe uma história para ouvir, erra e tenta novamente
O que uma criança precisa viver para crescer preparada para a vida? Talvez a resposta esteja menos em uma agenda cheia de atividades e mais nas pequenas experiências do cotidiano. Brincar sem roteiro, fazer escolhas, esperar, errar, resolver conflitos e até ficar entediada são situações que ajudam os pequenos a desenvolver habilidades importantes para diferentes momentos da vida.
Quando se fala em oferecer boas experiências para os filhos, é fácil cair na ideia de que é preciso viajar, fazer passeios diferentes ou preencher todos os momentos livres com atividades. Mas não é bem assim que funciona.
A criança também aprende quando ajuda a guardar os brinquedos, escolhe uma história para ouvir, erra e tenta novamente, quando precisa esperar sua vez ou descobre sozinha o que fazer em um dia sem programação.
Mais do que uma coleção de experiências extraordinárias, uma infância rica é construída também a partir de situações daquelas que parecem totalmente banais. Nem você, nem seu filho, precisam ser produtivos o tempo todo, programando atividades educativas. Deixar espaço para a criança se frustrar e descobrir o que fazer também é importante!
Aqui, algumas situações da rotina que parecem simples, mas trazem ensinamentos que seu filho vai levar para a vida toda:
1. Brincar sem direcionamento de um adulto
Nem toda brincadeira precisa ter uma finalidade pedagógica — e muito menos precisa ser conduzida por um adulto. Quando tem liberdade para inventar histórias, transformar objetos em brinquedos, criar regras e decidir como quer brincar, a criança experimenta diferentes possibilidades e aprende a encontrar soluções para pequenos desafios. Isso não significa que os adultos não possam participar. A diferença está em não assumir o controle da brincadeira o tempo todo.
Ajuda a desenvolver: criatividade, autonomia e resolução de problemas.
2. Ter momentos de tédio
“Não tenho nada para fazer!” é uma das frases que as crianças repetem em “looping”. A vontade do adulto é resolver, oferecendo imediatamente um desenho, um jogo, um passeio ou alguma atividade. Mas nem todo momento precisa ser preenchido. Quando não há uma programação, a criança pode olhar novamente para os brinquedos que já tem, inventar uma história, desenhar, observar o que acontece ao redor ou simplesmente descobrir uma nova maneira de passar o tempo. O tédio, portanto, não precisa ser encarado como um problema a ser eliminado.
Ajuda a desenvolver: iniciativa, criatividade e independência.
3. Fazer escolhas adequadas à idade
Qual livro ler antes de dormir? Qual roupa usar? Brincar de massinha ou desenhar? Qual fruta colocar no lanche? Pequenas escolhas como essas permitem que a criança participe da própria rotina e comece a perceber que suas decisões têm consequências. É claro que a liberdade precisa ser compatível com a idade: não cabe à criança decidir questões que são responsabilidade dos adultos, mas ela pode ter espaço para escolher dentro de limites seguros.
Ajuda a desenvolver: autonomia, responsabilidade e capacidade de decisão.
4. Errar e tentar de novo
A infância também precisa ter espaço para o erro. A criança pode não conseguir montar um brinquedo, perder um jogo, derrubar alguma coisa ou não encontrar a solução para um problema na primeira tentativa. Nessas situações, nem sempre é necessário correr para resolver por ela. O adulto pode oferecer apoio, fazer perguntas e incentivar novas tentativas, permitindo que a criança descubra aos poucos o que consegue fazer. A mensagem não é “você precisa conseguir sozinho”, mas “você pode tentar e eu estou aqui se precisar de ajuda”.
Ajuda a desenvolver: resiliência, confiança e capacidade de resolução de problemas.
5. Lidar com pequenas frustrações
Perder uma brincadeira, esperar a vez, ouvir um “não”, precisar dividir um brinquedo ou descobrir que um passeio foi cancelado faz parte da vida. É natural que os pais queiram evitar o sofrimento dos filhos, mas proteger a criança de toda e qualquer frustração também significa tirar dela a oportunidade de aprender a lidar com sentimentos difíceis. O importante é que essas experiências aconteçam de maneira adequada à idade e com a presença de adultos que acolham e ajudem a criança a compreender o que está sentindo.
Ajuda a desenvolver: tolerância à frustração, autorregulação e resiliência.
6. Convivência (com seus ônus e bônus)
Quem convive com crianças sabe: uma brincadeira em grupo dificilmente termina sem alguma discordância. Quem vai ser o primeiro? De quem é o brinquedo? Qual será a regra? E se alguém não quiser brincar? Esses pequenos conflitos também ensinam. Ao negociar, esperar, discordar e procurar uma solução, a criança aprende que outras pessoas podem ter sentimentos, necessidades e opiniões diferentes das suas. Nem todo conflito precisa ser resolvido imediatamente pelo adulto. Quando a situação permite, os responsáveis podem ajudar os envolvidos a contar o que aconteceu, ouvir o outro e pensar em alternativas.
Ajuda a desenvolver: empatia, cooperação, comunicação e habilidades sociais.
7. Experiências longe das telas
Não é preciso transformar celular, tablet, televisão e videogame em vilões. A questão é evitar que as telas ocupem praticamente todo o espaço destinado a outras experiências importantes para o desenvolvimento. Cozinhar juntos, desenhar, ler, montar um quebra-cabeça, brincar no parque, visitar um museu, andar de bicicleta ou simplesmente conversar são oportunidades de experimentar diferentes formas de interação, movimento e criatividade. Ah, e não se esqueça que o comportamento dos adultos também ensina.
Ajuda a desenvolver: criatividade, comunicação, movimento e vínculos.
Fonte: Regiane Oliveira Fais, coordenadora pedagógica do Colégio Santa Catarina – São Paulo.



