Background image

Conscientização das famílias sobre importância da participação ativa na vida escolar dos alunos.

Acompanhamento e monitoramento das atividades escolares dos alunos.

Apoio às famílias na organização e realização das atividades escolares dos alunos.

Orientações para a realização das atividades escolares dos alunos.

Voltar para Início

Cuidados com a Saúde

Puberdade precoce: nova diretriz internacional recomenda tratamento mais individualizado

Canguru News

Documento propõe observar alguns casos antes de investigar, usar um exame de sangue mais simples e evitar ressonância e testes genéticos

7 min de leitura

25 de agosto de 2026

Compartilhe:

Puberdade precoce: nova diretriz internacional recomenda tratamento mais individualizado

A puberdade precoce acontece quando o organismo ativa antecipadamente o eixo hormonal responsável pela puberdade

Uma criança começa a apresentar sinais de puberdade antes do esperado. Diante da situação, é comum que surjam dúvidas e preocupação entre os pais: é preciso fazer uma bateria de exames? Quais tratamentos são necessários? Uma nova diretriz internacional sobre puberdade precoce central propõe uma abordagem mais individualizada para responder a essas perguntas. Publicado em junho de 2026 no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, o documento da Endocrine Society atualiza as recomendações que estavam em vigor desde 2009 e sugere que nem todas as crianças precisam passar pelo mesmo caminho de investigação ou tratamento.

 

Elaborada por um grupo internacional de especialistas, com participação da endocrinologista brasileira Ana Claudia Latronico, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), a diretriz utiliza pela primeira vez, nesse tema, a metodologia GRADE, que é um sistema internacional usado para avaliar a qualidade das evidências e formular recomendações clínicas.

 

A principal proposta do documento é avaliar o ritmo e as características da puberdade de cada criança antes de partir automaticamente para exames e tratamentos.

 

O que é puberdade precoce central?

A puberdade precoce central acontece quando o organismo ativa antecipadamente o eixo hormonal responsável pela puberdade. Tradicionalmente, considera-se precoce o aparecimento de características sexuais secundárias antes dos 8 anos nas meninas e dos 9 anos nos meninos.

 

Nas meninas, um dos primeiros sinais pode ser o desenvolvimento das mamas. Nos meninos, pode ocorrer aumento do volume dos testículos. Também podem aparecer pelos, odor corporal, acne, crescimento acelerado e, nas meninas, posteriormente, a primeira menstruação.

 

Mas a nova diretriz chama atenção para uma questão importante: o início antecipado da puberdade não significa necessariamente que ela terá uma evolução rápida ou que a criança precisará de tratamento.

 

Uma das principais mudanças está na recomendação para meninas que começam a apresentar desenvolvimento das mamas entre 7 e 8 anos. Nesses casos, a diretriz sugere acompanhamento clínico periódico, em vez de partir imediatamente para exames laboratoriais ou de imagem. A avaliação pode observar, por exemplo, o crescimento e a progressão dos sinais da puberdade.

 

Para meninas com menos de 7 anos que apresentam inicialmente desenvolvimento das mamas, a recomendação também pode ser de um período de observação de quatro a seis meses, desde que não existam sinais que indiquem uma evolução rápida ou alterações neurológicas.

 

Isso porque algumas crianças podem apresentar uma evolução lenta ou transitória. Nesses casos, estudos avaliados pela diretriz indicam que a evolução para a vida adulta pode ser normal mesmo sem tratamento.

 

Isso não significa, porém, que toda menina com sinais de puberdade precoce deva simplesmente esperar. Se houver progressão rápida dos sinais, aceleração importante do crescimento ou outros achados clínicos, a investigação pode ser necessária imediatamente.

 

Exame de sangue passa a ser o primeiro passo

Quando é necessário investigar se a puberdade está sendo ativada de forma central, a diretriz sugere começar por um exame de sangue que mede o hormônio luteinizante (LH), utilizando um método ultrassensível. A recomendação é diferente da estratégia de começar rotineiramente com o chamado teste de estímulo com GnRH ou agonista de GnRH, que envolve uma avaliação hormonal mais complexa.

 

Se o LH basal estiver baixo, mas houver sinais clínicos que mantenham a suspeita de puberdade precoce central, outros exames podem ser necessários. Portanto, o novo protocolo não elimina os testes de estímulo: eles passam a ser usados de maneira mais direcionada, quando houver indicação.

 

Ressonância do cérebro: precisa mesmo?

Outra mudança importante envolve a ressonância magnética cerebral. Segundo a nova diretriz, meninas entre 6 e 8 anos e meninos entre 8 e 9 anos, com puberdade precoce central confirmada e sem sinais relacionados ao sistema nervoso central, nem sempre precisam de ressonância de rotina.

 

A recomendação é diferente para crianças mais novas ou para aquelas que apresentam sintomas neurológicos, como dor de cabeça, convulsões ou alterações no campo visual. Nesses casos, a investigação por imagem pode ser indicada.

 

A ideia é equilibrar os possíveis benefícios do exame com seus custos, recursos envolvidos e a possibilidade de encontrar alterações incidentais que podem levar a outras investigações sem necessariamente trazer benefício para a criança.

 

Teste genético também não deve ser automático

A nova diretriz também não recomenda a realização rotineira de testes genéticos para todas as crianças com puberdade precoce central. Exames direcionados para alterações em genes associados à condição, como MKRN3, DLK1 e MECP2, podem ser considerados em situações específicas, especialmente quando existe histórico familiar de puberdade precoce.

 

Mais uma vez, a mudança não significa que a genética deixou de ter importância. O que muda é a ideia de que toda criança precisa passar por essa investigação.

 

Nem toda criança precisa de medicamento

O mesmo princípio vale para o tratamento. Os chamados agonistas do GnRH conseguem interromper temporariamente a ativação hormonal responsável pela puberdade e podem ser indicados para muitas crianças com puberdade precoce central. Um dos objetivos é preservar o potencial de crescimento quando existe risco de comprometimento da altura adulta.

 

Mas a diretriz destaca que alguns grupos podem não obter benefício suficiente para justificar o tratamento. É o caso, por exemplo, de meninas entre 7 e 8 anos com puberdade central de progressão lenta. Crianças que já passaram pelo pico de velocidade de crescimento também podem ter menor benefício relacionado à preservação da altura.

 

Por isso, a recomendação é que a decisão considere as características da criança, a velocidade de progressão da puberdade, o potencial de crescimento, os possíveis benefícios e riscos e as preferências da família.

 

Quando a criança tem indicação de tratamento prolongado com agonista de GnRH, a diretriz sugere iniciar, quando apropriado, diretamente com uma formulação de ação prolongada, em vez de começar com aplicações mensais e depois mudar para uma opção de maior duração.

 

A recomendação, porém, leva em conta a expectativa de continuidade do tratamento: crianças que provavelmente utilizarão a opção mensal por longo prazo podem seguir uma estratégia diferente.

 

Menos exames durante o tratamento

Outra mudança é o acompanhamento de crianças que já estão recebendo tratamento.

 

A diretriz não recomenda fazer, de maneira rotineira, exames laboratoriais frequentes para verificar a supressão da puberdade. A dosagem de LH e de hormônios sexuais pode ser utilizada quando houver suspeita clínica de que o tratamento não esteja funcionando adequadamente. O documento também não recomenda adicionar hormônio do crescimento de maneira rotineira ao tratamento com agonistas de GnRH.

 

Até quando o tratamento deve continuar?

A nova diretriz propõe limites para evitar a manutenção desnecessária do tratamento. De maneira geral, não recomenda continuar rotineiramente os agonistas de GnRH além dos 10 a 11 anos nas meninas ou dos 11 a 12 anos nos meninos, considerando também a idade óssea. A decisão, entretanto, deve ser individualizada.

 

O que essas mudanças significam?

A principal mensagem não é que o acompanhamento clínico ganha mais importância. Em vez de seguir automaticamente uma sequência de exames e tratamentos, a proposta é observar como a puberdade está evoluindo e identificar quais crianças realmente têm maior probabilidade de se beneficiar de investigação adicional ou de tratamento.

 

Isso é especialmente importante porque a puberdade precoce central não se comporta da mesma maneira em todas as crianças. Algumas apresentam progressão rápida e podem se beneficiar de intervenção; outras evoluem lentamente e podem atingir uma altura adulta normal sem tratamento.

 

A atualização reforça uma tendência cada vez mais presente na medicina, que é não tratar automaticamente uma condição pelo diagnóstico, mas observar cada caso, avaliando quem realmente precisa de intervenção e qual é a melhor conduta para cada paciente.

 

Fonte: Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) e Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism

Mais Notícias

Reino Unido planeja toque de recolher para adolescentes nas redes sociais

Reino Unido planeja toque de recolher para adolescentes nas redes sociais

Nem todo livro é adequado para crianças: por que os pais precisam saber o que os filhos estão lendo

Nem todo livro é adequado para crianças: por que os pais precisam saber o que os filhos estão lendo

7 experiências simples que ajudam a criança a desenvolver habilidades para a vida

7 experiências simples que ajudam a criança a desenvolver habilidades para a vida