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Alerta para pais e mães: você já ouviu falar em um app de mensagens chamado “Zangi”?

Canguru News

Influenciadora e ativista pela proteção da infância relata que crianças foram abordadas e ameaçadas para enviar imagens íntimas pelo aplicativo

7 min de leitura

18 de agosto de 2026

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Alerta para pais e mães: você já ouviu falar em um app de mensagens chamado “Zangi”?

Criminosos podem utilizar aplicativos de comunicação privada para se aproximar de crianças

Zangi. Você sabe o que é isso? Se você tem uma criança ou adolescente em casa, que usa a internet, é bom ficar de olho. Trata-se de um aplicativo de mensagens, como o WhatsApp ou Telegram, mas que não precisa de um número ou chip para usar. De acordo com relatos de pais, ele tem sido usado por criminosos e pessoas mal intencionadas para aliciar menores. A influenciadora e ativista pela proteção da infância nos ambientes digitais Sheylli Caleffi compartilhou um alerta em suas redes sociais, com alguns desses depoimentos, mostrando abordagens perigosas envolvendo crianças e adolescentes no Zangi.

 

Depois de receber mensagens sobre o assunto, Sheylli conta que baixou o aplicativo para realizar testes. “É pior do que vocês conseguem imaginar!”, escreveu. Na mesma publicação, ela reforçou a importância de conversar com crianças, adolescentes e seus cuidadores sobre os riscos presentes no ambiente digital.

 

Entre os relatos compartilhados está o de uma mãe que afirmou que a filha, de 10 anos, teria sido aliciada e ameaçada para enviar fotos íntimas pelo aplicativo. A menina teria chegado ao Zangi por meio de grupos relacionados a K-pop.

 

O caso chama atenção para um risco conhecido no ambiente digital: criminosos podem utilizar aplicativos de comunicação privada para se aproximar de crianças e adolescentes, estabelecer vínculos e, posteriormente, pedir imagens íntimas ou fazer ameaças.

 

O Zangi é um aplicativo de mensagens, chamadas de voz e vídeo que funciona pela internet. Uma de suas principais características é não exigir um número de telefone ou um cartão SIM para o cadastro. O próprio serviço informa que atribui ao usuário um número Zangi e afirma não armazenar mensagens pessoais em seus servidores. As comunicações são protegidas por criptografia de ponta a ponta. O usuário pode compartilhar seu número de identificação com outras pessoas para iniciar uma conversa.

 

Na descrição disponível atualmente no Google Play, o aplicativo afirma que não possui contatos não solicitados: segundo a empresa, uma pessoa só consegue encontrar determinado perfil se souber o número Zangi exato. A plataforma também orienta que esse número seja compartilhado apenas com pessoas de confiança. Na App Store brasileira, o Zangi aparece atualmente com classificação etária A12. Já no Google Play, consta como “Todos”, mostrando que a classificação não é igual nas duas lojas.

 

Por que isso preocupa quando o usuário é uma criança?

 

O problema não está simplesmente em utilizar um aplicativo de mensagens, mas na possibilidade de uma criança ser levada para um ambiente de comunicação privada por alguém que ela conheceu em outra plataforma ou em grupos de interesse.

 

O aliciamento sexual online pode começar de maneira aparentemente inocente. Criminosos podem utilizar redes sociais, chats e outros espaços frequentados por crianças e adolescentes para estabelecer uma relação de confiança com a vítima e depois fazer chantagens, conseguir informações, imagens ou encontros.

 

Em outro relato compartilhado por Sheylli, um seguidor mostrou uma conversa na qual uma pessoa o convidava a migrar para o Zangi. Na conversa, havia referências sexualizadas a meninos e uma oferta de imagens de um primo. O conteúdo foi apresentado pela influenciadora como mais um exemplo de como o aplicativo pode estar sendo utilizado para tentar levar conversas de teor criminoso para um ambiente privado.

 

O que é aliciamento online?

O aliciamento, também chamado de “grooming”, ocorre quando um adulto se aproxima de uma criança ou adolescente com a intenção de estabelecer uma relação de confiança para obter algum tipo de vantagem ou exploração sexual. Nem sempre a abordagem começa falando sobre sexo. Pode começar com interesses em comum, elogios, jogos, música, fandoms ou conversas aparentemente banais. Depois, podem surgir pedidos para conversar em privado, manter segredo, enviar fotos, fazer chamadas de vídeo ou provar confiança. Quando a criança resiste, o criminoso pode recorrer à manipulação, culpa, chantagem ou ameaça.

 

Por isso, especialistas em proteção digital recomendam que a conversa com os filhos não fique restrita ao “não fale com estranhos”. Crianças e adolescentes precisam entender como uma abordagem inadequada pode começar e que podem procurar um adulto de confiança mesmo quando já tenham enviado alguma imagem ou estejam com medo.

 

“Mas meu filho não faria isso”

É fundamental que as famílias entendam que a criança nem sempre entende que está sendo manipulada. O aliciador pode se apresentar como alguém da mesma idade, demonstrar interesses semelhantes ou oferecer atenção e aprovação.

 

Além disso, depois que uma imagem íntima é enviada, a situação pode se transformar rapidamente em uma ameaça: “se você não mandar outra, vou mostrar para seus pais”, “vou publicar”, “vou enviar para seus amigos”.

 

A Polícia Federal já investigou casos em que perfis falsos foram utilizados para se aproximar de crianças e adolescentes, obter imagens íntimas e depois utilizá-las como instrumento de coação mediante ameaça de divulgação. A prática ficou conhecida como “sextorsão”.

 

Como conversar com as crianças?

Mais importante do que simplesmente proibir um aplicativo é construir uma relação em que a criança saiba que pode contar o que aconteceu. Explique que ninguém tem direito de pedir fotos das partes íntimas. Isso vale mesmo quando a pessoa diz ser amiga, namorado, namorada ou alguém da mesma idade.

 

Diga que não deve existir segredos entre crianças e adultos, muito menos quando envolve o corpo ou imagens íntimas. Se alguém pedir segredo sobre uma conversa desse tipo, a criança deve contar a um adulto de confiança.

 

Ensine que pessoas na internet podem não ser quem dizem ser. Uma foto, um nome e uma idade informados em um perfil não comprovam a identidade de ninguém.

 

Importante: não culpe a criança se algo acontecer! Se ela enviar uma imagem ou entrar em uma conversa inadequada, a reação do adulto é fundamental. Quando recebe gritos, ameaças e punições, ela pode querer esconder o problema em vez de pedir ajuda.

 

Fique atento e controle os aplicativos instalados no celular. Isso pode acontecer com a ajuda de aplicativos de controle parental ou verificando o aparelho mesmo, como rotina. Não procure apenas pelos mais conhecidos. Verifique também quais aplicativos de mensagens, jogos e redes estão disponíveis e para que estão sendo utilizados.

 

Converse sobre migração de plataforma. Um sinal de alerta pode ser alguém conhecido em uma rede social, jogo ou grupo que insiste para que a conversa continue em outro aplicativo, especialmente quando pede segredo.

 

E se a criança já tiver enviado uma foto?

A primeira orientação é: não culpe a criança e não a deixe sozinha com o problema. Se houver ameaça, chantagem ou pedido de novas imagens, não ceda às exigências do criminoso. Guarde, quando possível e sem redistribuir o conteúdo, informações que possam ajudar na investigação, como nomes de usuário, números de identificação, links e registros das conversas.

 

Também é importante buscar ajuda das autoridades. O governo federal orienta que violações contra crianças e adolescentes, inclusive aquelas ocorridas no ambiente digital, podem ser denunciadas pelo Disque 100. O canal também recebe denúncias por outros meios digitais.

 

A SaferNet também orienta que suspeitas de aliciamento sexual infantil sejam encaminhadas às autoridades competentes, como Conselho Tutelar, Ministério Público e Polícia Federal.

 

O episódio envolvendo o Zangi serve como mais um lembrete de que proteger crianças no ambiente digital não significa apenas controlar o tempo de tela ou bloquear determinados sites ou apps. O diálogo é a principal ferramenta para saber com quem seu filho conversa, quais aplicativos utiliza e, principalmente, criar espaço para que ele possa contar quando alguma interação causar medo, vergonha ou desconforto.

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