Tecnologia
App criado pela USP ajuda famílias a identificar riscos online
Canguru News
Com inteligência artificial, ferramenta detecta sinais de bullying, exposição a conteúdos inadequados e sofrimento emocional

App ajuda a mapear comportamentos perigosos no ambiente digital e envia alertas aos responsáveis
Um dos maiores desafios de criar filhos hoje, por mais contraditório que pareça, é a internet. É claro que a rede traz informações, conecta as pessoas e facilita a vida em muitos sentidos. Por outro lado, vêm os riscos da exposição, do acesso a conteúdo inadequado, bullying, predadores online, vício... Os pais precisam se desdobrar para ficar de olho nos perigos, nem sempre fáceis de identificar.
Mas um novo aplicativo promete se tornar um aliado na missão. Em parceria com a startup Infantia, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram uma ferramenta que utiliza inteligência artificial para monitorar atividades realizadas no celular e identificar possíveis situações de perigo. Quando detecta comportamentos preocupantes, envia alertas aos pais ou responsáveis para que possam agir de forma preventiva e oferecer apoio.
Entre os sinais que o sistema consegue reconhecer estão indícios de bullying, sofrimento emocional, exposição a conteúdos violentos ou pornográficos e até situações mais graves, como intenção de fuga de casa ou combinações que possam colocar a segurança do jovem em risco.
Os desenvolvedores reforçam que o objetivo não é controlar cada passo da criança, mas ajudar os adultos a perceberem situações que, muitas vezes, passam despercebidas no dia a dia. Não dá para negar que acompanhar a vida digital dos filhos se tornou um dos grandes desafios da parentalidade contemporânea.
Como a tecnologia funciona?
O aplicativo coleta informações sobre as interações realizadas no dispositivo, como mensagens, sites acessados e atividades em jogos. Esses dados são analisados por modelos de inteligência artificial treinados para reconhecer padrões associados a comportamentos de risco.
Para construir esse sistema, psicólogos participaram da identificação das principais situações que podem representar ameaça ao bem-estar de crianças e adolescentes. A partir dessas informações, a tecnologia foi treinada para classificar e interpretar diferentes contextos.
Um dos desafios enfrentados pelos pesquisadores foi justamente compreender a linguagem usada pelos jovens nas redes sociais e aplicativos de mensagem. Gírias, abreviações, emojis e ironias mudam constantemente, exigindo atualizações frequentes do sistema.
Quando o assunto é monitoramento digital, a preocupação com a privacidade surge imediatamente. Os responsáveis pelo projeto afirmam que os dados passam por um processo de anonimização, impedindo a identificação dos usuários durante o processamento pela inteligência artificial. Segundo a equipe, as informações coletadas são utilizadas exclusivamente para o funcionamento da plataforma e para a identificação de situações de risco.
Além do aplicativo, a iniciativa oferece um portal com conteúdo educativo e um curso voltado para pais e responsáveis. A ideia é ajudar as famílias a compreenderem melhor o universo digital dos filhos, aprender a configurar jogos e redes sociais com mais segurança e desenvolver estratégias de mediação parental que fortaleçam o diálogo dentro de casa.
Ainda precisamos conversar
Apesar das maravilhas da tecnologia e das ferramentas cada vez mais treinadas e sofisticadas, vale o lembrete: nenhum aplicativo substitui a relação de confiança entre você e seu filho. O monitoramento pode ser um apoio importante, mas é fundamental criar espaços de escuta, acolhimento e conversa sobre o que acontece na internet.



