Parentalidade
Pais presentes fazem toda a diferença na vida dos filhos
Canguru News
Estudos mostram que o envolvimento paterno contribui para o desenvolvimento emocional, social e cognitivo das crianças

Os efeitos da paternidade ativa podem ser percebidos muito além da infância
Ainda estamos longe de termos um equilíbrio justo entre homens e mulheres quando o assunto é cuidado, incluindo, é claro, o cuidado com os filhos. Durante muito tempo, ele foi visto como uma responsabilidade quase exclusiva das mães, mas, aos poucos, isso tem mudado – ainda bem! Cada vez mais, pesquisas mostram que a participação ativa dos pais faz diferença não só na rotina da família, mas também na saúde e no desenvolvimento das crianças.
Estudos realizados em diferentes países indicam que crianças que contam com pais presentes e envolvidos tendem a desenvolver melhor suas habilidades emocionais, apresentam menos problemas de comportamento e conseguem lidar de forma mais saudável com desafios ao longo da vida.
E os próprios homens se beneficiam disso! Segundo o psiquiatra Diego Ortega, especialista em infância e adolescência do Einstein Hospital Israelita, os benefícios não se limitam aos filhos. “Pais presentes costumam ter menos agravos de saúde mental, mais acesso a redes de apoio, mais tempo de qualidade com os filhos e maior capacidade de perceber quando algo não vai bem”, aponta.
É importante lembrar que estar presente vai muito além de estar ao lado, enquanto a criança brinca. A qualidade da relação é um fator decisivo. Conversar, brincar, participar das atividades diárias e demonstrar interesse genuíno pela vida dos filhos são atitudes que fortalecem vínculos e ajudam a construir segurança emocional.
Este é um detalhe importante porque a ausência paterna nem sempre acontece quando o pai está longe fisicamente. Em muitos casos, ela se manifesta pela falta de conexão emocional. “Crianças que percebem pais emocionalmente distantes costumam ter mais sintomas psíquicos ao longo da vida, mesmo quando adultas”, alerta Ortega.
Essa proximidade emocional começa desde os primeiros meses de vida. Segurar o bebê no colo, participar dos cuidados diários, cantar, contar histórias e compartilhar momentos simples ajudam a fortalecer conexões importantes para o desenvolvimento infantil.
Os efeitos da paternidade ativa podem ser percebidos muito além da infância. Pesquisas apontam que pessoas que tiveram pais mais envolvidos apresentam melhores indicadores de saúde mental na vida adulta, com menor risco de ansiedade, depressão e outros problemas emocionais. Também foram observadas taxas menores de consumo de cigarro e drogas ilícitas entre jovens que cresceram com maior participação paterna.
Outro impacto importante pode ser sentido dentro de casa. Quando os cuidados são compartilhados, as mães tendem a enfrentar menos sobrecarga física e emocional. Além de ser mais justo com elas, isso tem reflexo para todos, já que favorece um ambiente familiar mais equilibrado para todos.
Pai não ajuda, participa
Embora muitos homens ainda descrevam sua atuação na criação dos filhos como uma "ajuda", a gente já sabe que o termo, há tempos, não representa a realidade que as famílias buscam construir. “O cuidado com os filhos é uma oportunidade de construção, de cumplicidade e de desenvolvimento social para todos”, afirma a psicóloga Marianne Ramos Feijó, professora da Unesp. Para ela, a participação paterna envolve diferentes aspectos da vida familiar, incluindo cuidado, educação, lazer, diálogo e definição de limites.
Nem sempre a construção desse vínculo acontece desde o nascimento. Mudanças na dinâmica familiar, separações ou rotinas de trabalho intensas podem dificultar a aproximação. Mas os laços podem ser fortalecidos em qualquer fase da vida da criança.
“O potencial das crianças e das pessoas é enorme”, destaca Ortega. O primeiro passo, segundo ele, é simples: estar disposto a conhecer o filho como ele é hoje, criando espaço para novas conversas, experiências e conexões.
A paternidade ativa é um dos fatores que contribuem para o bem-estar das crianças, das mães e dos próprios pais. Quando o cuidado é compartilhado, toda a família sai ganhando.
Fonte: Agência Einstein



