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Parentalidade

Você sabe o que é “fumaça digital”? O termo alerta para o impacto do celular nas relações

Canguru News

Assim como a fumaça do cigarro se espalha pelo ambiente, o uso constante do celular pode afetar quem está ao redor

5 min de leitura

15 de setembro de 2026

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Você sabe o que é “fumaça digital”? O termo alerta para o impacto do celular nas relações

Quando uma pessoa pega o smartphone durante uma conversa, não é apenas a atenção dela que muda

Imagine um grupo de crianças brincando. Elas se divertem umas com as outras, interagindo, conversando, inventando regras, deixando a criatividade rolar solta. Se uma delas pega o tablet ou o celular, pronto. Todas as outras vão querer partir para a tela também. A diversão real chega rapidamente ao fim.

 

Outro cenário: você já esteve em um jantar em família em que todo mundo estava à mesa, mas cada pessoa parecia estar em um mundo diferente? Ou tentou conversar com alguém que, de repente, pegou o celular e começou a olhar notificações? Situações como esta têm nome, segundo o Movimento Desconecta: é a fumaça digital.

 

A expressão faz uma comparação com a fumaça do cigarro. Assim como a fumaça pode atingir quem não fuma, o uso constante do smartphone também pode afetar as pessoas que estão no mesmo ambiente, interrompendo conversas, desviando a atenção e diminuindo as oportunidades de conexão. Na ciência, existe um termo para quando alguém ignora ou interrompe uma interação presencial para olhar o celular: phubbing, combinação das palavras inglesas phone (telefone) e snubbing (esnobar ou ignorar).

 

Quando alguém pega o celular para chegar uma notificação ou responder a uma mensagem, em poucos minutos, aquilo que deveria ser um momento de conversa pode se transformar em ambiente onde as pessoas até estão fisicamente juntas, mas com a atenção espalhada pelas telas. É justamente esse efeito coletivo que o conceito de “fumaça digital” pretende provocar.

 

Algumas pesquisas ajudam a entender por que isso acontece. Uma meta-análise que reuniu 43 estudos sobre o uso e a presença de celulares em interações sociais encontrou um efeito consistente do phubbing: quando uma pessoa usa o aparelho durante uma interação, a outra tende a ter uma percepção mais negativa daquela relação.

 

Um estudo publicado em 2025 na revista BMC Psychology também observou que assistir a uma interação em que uma das pessoas usa o celular pode afetar a percepção sobre a qualidade e a adequação daquela conversa.

 

Quando uma pessoa pega o smartphone durante uma conversa, não é apenas a atenção dela que muda. Quem está tentando conversar também percebe a interrupção. Em um estudo realizado com 100 duplas de estudantes, pesquisadores observaram que o uso do celular durante as conversas estava associado a uma percepção menor de intimidade quando o aparelho era utilizado pelo parceiro de conversa.

 

Outro estudo experimental, publicado em 2025, aponta que o phubbing pode prejudicar a percepção sobre a interação e a conexão entre as pessoas. Quando a atenção é dividida entre a conversa presencial e o smartphone, o fluxo natural da conversa é interrompido. Isso ajuda a explicar aquela sensação comum de estar falando, mas sentir que a outra pessoa não está realmente presente.

 

E as crianças?

Na infância, a questão ganha uma dimensão ainda maior porque grande parte das habilidades sociais é construída justamente nas interações cotidianas. Conversar olhando para alguém, esperar a vez de falar, perceber expressões faciais, lidar com o silêncio, negociar uma brincadeira, ouvir uma história ou simplesmente compartilhar uma refeição são experiências que acontecem no mundo real.

 

Quando os adultos estão constantemente dividindo a atenção com o celular, essas pequenas oportunidades podem ser interrompidas.

 

É importante não transformar a discussão em uma guerra contra a tecnologia. Afinal, smartphones também são ferramentas úteis para comunicação, informação, trabalho, estudo, lazer e segurança. A questão está no contexto e na forma como usamos esses aparelhos.

 

Uma coisa é olhar rapidamente o celular porque alguém está esperando uma mensagem importante. Outra é estar constantemente alternando entre a conversa e a tela, acompanhando notificações, vídeos, mensagens e redes sociais enquanto alguém tenta falar com você. A diferença até parece pequena, mas é suficiente para mudar a qualidade da presença.

 

“Oásis” sem celular

Para combater o que chama de “fumaça digital”, o Movimento Desconecta propõe uma ideia bastante simples: criar momentos e ambientes livres de celular. Pode ser durante as refeições, em encontros entre amigos, em festas, em determinados momentos da escola ou simplesmente dentro de casa.

 

A lógica é criar pequenos “oásis” em que ninguém precise disputar a atenção com uma tela. Combinar com a família que na hora do jantar os celulares ficam longe da mesa já é um começo. Em um encontro entre amigos, os adultos podem deixar os aparelhos em uma bolsa ou em um local combinado. Em uma brincadeira com as crianças, vale experimentar ficar alguns minutos completamente presente, sem registrar tudo em foto ou responder mensagens. Trata-se de escolher alguns momentos em que estar presente vale mais do que estar conectado.

 

Menos “fumaça”, mais conexão

A provocação do Movimento Desconecta é justamente essa: talvez seja hora de pensar no celular não apenas como uma questão individual — “quanto tempo eu passo na tela?” —, mas também como uma questão coletiva: “que tipo de ambiente estamos criando quando todos estão conectados ao mesmo tempo?”

 

O Desconecta é um movimento criado por famílias preocupadas com o uso precoce de smartphones e redes sociais por crianças e adolescentes, para defender um uso mais equilibrado da tecnologia. Em seu manifesto, destaca a importância do tempo de qualidade, das conversas atentas, das brincadeiras e da conexão humana.

 

Fontes: Movimento Desconecta; BMC Psychology, Computers in Human Behavior e Human Communication & Technology.

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